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A sedução populista

por Luís Naves, em 04.09.16

A rebelião populista que alastra nas democracias ocidentais tem muitas formas, mas também elementos comuns: estes eleitores desconfiam dos banqueiros, dos meios de comunicação e dos políticos, recusam novos acordos de liberalização do comércio, são vagamente anti-americanos, gostam de líderes autoritários, detestam a conversa da abrangência, têm urticária às burocracias não eleitas, querem travar a imigração, sobretudo a de fanáticos muçulmanos. Como mostrou o Brexit, não tem sido eficaz a resposta das elites a estas inquietações. Apesar de serem diabolizados, os movimentos de protesto continuam a cavalgar a onda de descontentamento gerada pela crise de 2008. A insegurança económica é hoje fortíssima nos países ocidentais e os perdedores da globalização recusam aceitar a política do costume. Objectivamente, a vida das pessoas mais pobres piorou: há má convivência nos bairros degradados e menos trabalho nas fábricas mecanizadas. O terrorismo causa alta insegurança, os ricos enriqueceram e vivem em condomínios fechados, a classe média perdeu as ilusões e os trabalhadores são sensíveis à ideia de que os seus rendimentos estagnaram por causa da imigração em massa. As elites fracassaram. Onde havia empresários que defendiam os seus trabalhadores, agora há gestores cuja capacidade é medida em função do número de colaboradores despedidos. A imprensa esqueceu-se de que tem leitores e não faz qualquer esforço para compreender o descontentamento, não perdendo uma oportunidade para definir estes votantes como xenófobos e de extrema-direita. Os intelectuais desistiram de descodificar o mundo, têm medo de dizer o que pensam e adoptaram uma linguagem politicamente correcta, que nada explica. Os políticos talvez não tenham verdadeiras soluções ou não avaliam a sedução destas ideias.

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publicado às 13:46



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