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A morte do romance burguês

por Luís Naves, em 14.08.16

Nos romances burgueses do século XX era frequente surgir um tom convencional de boas famílias e de uma existência segura. Nestes livros, as personagens masculinas são geralmente fortes e confiantes, as mulheres nunca conseguem ser ridículas, são sempre enigmáticas, etéreas, mas nunca palermas; os homens dizem coisas profundas, jamais com sentido de humor; elas são trágicas e belas, desprovidas de grandes ideias, mas sem qualquer defeito da verdadeira humanidade, nem sequer uma pestana torta. As mulheres dos romances da época têm outra característica: generosa tendência para a devassidão moral. A burguesia do século XXI é muito diferente, confunde-se com a classe trabalhadora e foi proletarizada. As mulheres emanciparam-se, mas são infelizes e solitárias. Os homens têm angústias profundas e vivem existências sem sentido. O romance burguês está morto, pois já não há personagens em casamentos convencionais, com empregos rotineiros e situação financeira estabilizada, já não há pequenos empresários nem pequenas ambições, já não há pequenos adultérios nem pequenos sonhos burgueses.. 

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publicado às 12:25



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