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A iminência do Brexit (1)

por Luís Naves, em 13.06.16

Do ponto de vista político, o Brexit tem, para já, uma consequência: a Alemanha e a França serão mais fortes no contexto da UE sem o Reino Unido (Berlim já está a fortalecer-se antes do Brexit, com os investidores a pagarem para comprar dívida alemã). E o erro dos europeus não foi criar uma moeda única, teoricamente necessária para sustentar um mercado interno, mas a pressa com que se criou o euro, sem instituições, englobando países sem preparação, o que levou ao não cumprimento das regras que tinham sido definidas. Durante a crise das dívidas soberanas, a cláusula de excepção de que beneficiava o Reino Unido afastou Londres das decisões cruciais da União Europeia sobre zona euro, e era uma questão de tempo até que a corda rebentasse. Simplesmente, não era possível manter uma situação em que, chegados aos assuntos quentes, os líderes europeus convidavam o líder britânico a sair da sala. Ele queria manter-se na discussão, dizia que Londres era a praça financeira onde tudo se passava, mas era ilógico que participasse em decisões sobre a moeda única dos outros. Parece contra-intuitivo, mas se o 'sim' vencer o referendo e o Reino Unido quiser ficar na UE terá de ponderar a sua futura adesão ao euro. Enfim, o Brexit pode acabar com a União Europeia, mas não é inevitável que isso aconteça. Pelo contrário, o processo de reforma torna-se inevitável, o que termina de vez com as hesitações. No final, pode até resultar uma entidade mais integrada e coesa.

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publicado às 18:04



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