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A dúvida faz sentido?

por Luís Naves, em 27.09.17

A vingança das nações é uma reacção quixotesca a mudanças mais profundas a que assistimos com espanto e receio. Em todo o mundo avançado decorrem discussões sobre a identidade da nação, mas poucos se interrogam sobre se estas polémicas fazem sentido: ser hoje nacionalista é embrulhar-se numa bandeira ou ajoelhar em protesto quando toca o hino? ter uma nostalgia gastronómica? falar certa língua ou emocionar-se com uma vitória desportiva? Serei eu, então, bom português? Enfim, detesto cozido à portuguesa, acho a bandeira feia e há milhões de pessoas que falam a minha língua e dizem pertencer a outras nações. A Revolução Francesa abriu caminho ao florescimento de patriotas que, em certos casos, deram origem a impérios e a Estados totalitários, todos mantendo a ideia central de que um determinado povo, nação ou classe controlava o seu destino. A política a que assistimos já não tem nada a ver com esse passado, somos quase todos burgueses, veneramos o capitalismo, aceitamos sem incómodo o poder do Estado, mas sabemos que isto anda tudo ligado e interdependente. Pátria, povo e comunidade são palavras que enchem a boca dos políticos, mas tendo perdido o velho significado que tinham. O que é hoje ser patriota? Pagar impostos? ter uma visão mítica da história? citar clássicos da literatura e achar parvamente que os nossos autores são os melhores?

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publicado às 19:48



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