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A dura realidade

por Luís Naves, em 04.09.15

Fui ver o ‘muro’ a Roszke, a 15 quilómetros de Szeged, e não estava à espera do que encontrei. O que em Portugal se lê sobre este tema é totalmente exagerado. A vedação estende-se mesmo ao lado de campos agrícolas e a pouca distância de casas. Não pretende impedir a entrada de migrantes, como se afirma, mas fazer com que todos passem em locais vigiados. Num destes pontos de entrada, junto a uma linha férrea, está o campo provisório de recepção dos migrantes, que chegam aos magotes. Depois, a 500 metros, o campo de registo. Toda a gente entra, cerca de mil por dia nesta parte, três mil diários no resto da fronteira com a Sérvia. Ninguém compreende isto em Portugal: a vedação visa conduzir os refugiados para entradas seguras e policiadas, mas foi descrito como uma barreira para impedir a entrada. Então, se trava a entrada porque estão aqui tantos? Enfim, a intenção foi criar alguma ordem num processo que estava a entrar em descontrolo. Tentei contar tudo isto aqui e depois também aqui. No campo de registo, a multidão recusa-se a esperar. Há fugas de grupos pela auto-estrada, mas a confusão existe por todo o lado. Em Budapeste, os indocumentados estão em marcha, em Roszke assisto a um motim. Julgo haver fortes pressões convenientes para o tráfico para que os húngaros desistem e abandonem as suas obrigações de Schengen. É isto que não compreendo. Quem tem interesse numa passagem descontrolada dos migrantes? Antes de assistir à loucura, fomos ver a casa que viemos comprar: é muito gira, precisa de obras mínimas. As redondezas são simpáticas e Szeged tem qualidade de vida: perto das piscinas, dos transportes, em frente ao parque, só é preciso atravessar a ponte e estamos no centro. A K. está eufórica e feliz com a casa. Em Roszke tirou fotografias e ficou muito impressionada. Estranhei na fronteira a total ausência de organizações da sociedade civil. Onde estão as igrejas? Que faria Jesus Cristo?

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publicado às 18:09



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