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Após os banhos

por Luís Naves, em 18.08.13

Após a pausa das férias, recomeça a vida mediática e política, sem que se avistem sinais de que o País recuperou o bom senso. Continuamos sob resgate financeiro, dependentes da sensatez dos mercados e da vontade dos países europeus, nomeadamente da Alemanha, mas já se ouvem os que querem modificar o compromisso internacional com um golpe de magia.
Sem redução da despesa na ordem de 4 ou 5 mil milhões de euros, Portugal não terá hipótese de equilibrar as contas públicas nos próximos anos, mas este factor limitante continua a ser omitido nas discussões.
Alguns analistas estão a alarmar as pessoas dizendo que vem aí uma vaga de despedimentos na função pública, enquanto o lado governamental faz ameaçadores avisos ao Tribunal Constitucional sobre o mesmo tema. Tudo isto não passa de música celestial, pois o número de funcionários já foi reduzido para 575 mil, através da não substituição de pessoas que se reformam. A este ritmo, dentro de três anos, haverá 525 mil funcionários, o que significa que estará atingida a meta que o FMI recomendava (redução total de 120 mil). O País terá um sector público finalmente sustentável. Se entretanto o TC chumbar a mobilidade, isso não representa uma crise grave para o Governo, sendo suficiente lançar rescisões amigáveis e reforçar o rácio de não substituição. Em resumo, a redução do Estado está a meio e o Governo dispõe de todas as condições para a concluir. (A reforma do Estado é outra coisa, naturalmente).

 

A economia portuguesa mostra os primeiros sinais de que ganhou competitividade, mas a saída da crise depende da recuperação europeia. Portugal mantém a prioridade do regresso aos mercados até meados do próximo ano, condição crucial para tudo o resto. Sem o regresso aos mercados, será sempre necessário recorrer ao segundo resgate, prolongando o protectorado financeiro e a agonia da crise. Isso destruirá a confiança, matando à nascença qualquer recuperação do emprego e da economia.
O que acontecer na Europa será decisivo. Os últimos números mostram que a estratégia da Alemanha, vilipendiada pelos comentadores nacionais, começa a mostrar resultados. A economia recupera pela competitividade das empresas e pelas exportações, não por estímulos ao consumo que aumentam a despesa e a dívida dos endividados.

 

Tal como muitos economistas sugeriram, na Alemanha está a ocorrer um aumento do consumo. Também haverá eleições dentro de um mês e tudo indica que a chanceler Angela Merkel terá uma vitória confortável. A oposição aposta numa coligação entre SPD e Verdes, mas estes dois partidos dependem da não entrada dos liberais do FDP no parlamento (menos de 5%) e surgem nas sondagens com somatório abaixo da CDU. Na melhor das hipóteses teriam um governo minoritário. Assim, o cenário mais provável é de governo liderado por Merkel, com CDU e FDP, ou uma grande coligação entre CDU e SPD, caso a eleição corra mal aos liberais.
Tudo isto está a ser olimpicamente ignorado pelos políticos portugueses, como se o destino do país que passa os cheques não fosse importante. Merkel prepara-se para vencer e para dizer que a sua estratégia funciona e que, por isso, esta vai continuar, com pequenos ajustamentos porventura, mas serão correcções de rumo: a direcção está definida e não muda. 

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publicado às 13:23



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