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por Luís Naves, em 19.10.13

Recomendo a leitura deste post lúcido, em Os Comediantes, e também de outro texto, com uma análise muito original de Luís Aguiar-Conraria.

Um dos problemas políticos centrais parece-me ser a circunstância da esquerda (e parte da direita) não compreenderem que Portugal está sob resgate financeiro. Além disso, os credores estarão a perder a paciência com a incapacidade revelada pelas instituições no cumprimento do acordo que nos obriga a fazer um duro ajustamento nas contas públicas, acompanhado de reformas estruturais complexas.
A nossa soberania é limitada enquanto decorrer o resgate externo. Temos de prestar contas regulares a uma troika que representa os interesses de quem nos emprestou dinheiro.


Esta realidade muito simples é ignorada nos assomos patrióticos que parecem ter entrado na moda.

A polémica sobre o relatório do representante da Comissão Europeia em Lisboa é das coisas mais bizarras a que tenho assistido nesta fase política digna de um país autista. Com base no que leio em jornais e blogues, e se me tivessem perguntado a opinião, teria escrito da mesma forma que o representante da Comissão Europeia em Lisboa, cujo trabalho é fazer este tipo de relatórios.

 

Vítor Cunha, em Blasfémias, sublinha a contradição dos blogues que se indignam com o caso. Por exemplo, este documento é incompreensível, para mais vindo de um eurodeputado, Rui Tavares, que escreveu um relatório com críticas duríssimas a um país da União Europeia que não estava submetido a uma troika. Esta autora, Shyznogud, em Jugular, com quem já mantive várias polémicas, foi das mais críticas da Hungria, mas agora indigna-se com um documento interno da Comissão Europeia que, em termos de ingerências, é uma banalidade.

Tentei explicar aqui a questão.
Lembro que o governo húngaro sofreu pressões de Bruxelas (e bem) para alterar aspectos da sua Constituição, o que fez, dando argumentos a um perigoso partido da extrema-direita.
Mas em Portugal estamos perante a indignação por causa de uma opinião interna de um funcionário europeu que constata o óbvio sobre eventuais decisões do nosso Tribunal Constitucional e que afirma algo que um bloguer anónimo como eu estaria disposto a afirmar também. Não duvido que mais à frente no campeonato haverá pressões para alterações constitucionais. Isso não será agradável, mas os que agora têm assomos patrióticos deviam guardar-se para ocasiões importantes.

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publicado às 14:07



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