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O pesadelo sírio

por Luís Naves, em 20.08.16

Segundo a ONU, a guerra civil na Síria já causou a morte a 400 mil pessoas, mas há quem fale em meio milhão. O número de deslocados equivalente a metade da população, mais de dez milhões de pessoas; há famílias desfeitas, cidades históricas arrasadas, um país devastado. Quatro milhões de refugiados estão em relativa segurança no exterior, sobretudo na Jordânia, Líbano e Turquia, e muitos conseguiram chegar à Europa, talvez mais de um milhão. A Síria morreu como nação e é hoje um território em escombros, fragmentado em zonas de guerra. Há dois grupos principais: as forças governamentais de Bachar al-Assad, apoiadas pela minoria alauíta, pela Rússia, Irão e pela milícia xiita libanesa do Hezbollah. Do outro lado, há centenas de grupos rebeldes, mas juntaram-se sobretudo em duas alianças: sunitas 'moderados' (se isso é possível), apoiados pelos EUA, França e Turquia, a que por vezes se juntam salafistas, com apoio Saudita. A segunda grande força anti-governamental é o Estado Islâmico, que combate todos os intervenientes e pretende exportar a violência, criando atentados no Ocidente.

A segunda camada do conflito é uma guerra religiosa, entre xiitas e sunitas, mas que inclui o extermínio de outras minorias, incluindo cristãos (apoiavam Assad, mas já devem ser residuais). Este labirinto complica-se com a intervenção externa. Num pântano sem solução militar, há uma rivalidade entre americanos e russos, embora os dois países colaborem no combate ao Estado Islâmico; e o mesmo acontece entre Estados Unidos e Irão, cuja rivalidade tem intervalos pragmáticos em que é possível a discreta colaboração contra o Estado Islâmico e os grupos sunitas radicalizados. Não falta sequer a esta guerra cruel uma brigada internacional de combatentes ao serviço do Estado Islâmico e vindos sobretudo da Europa, dispostos a executar as piores atrocidades em nome de uma versão homicida da pureza religiosa. Neste pesadelo, que começou em 2011 com manifestações pacíficas então reprimidas por atiradores furtivos e tanques, tem sido impossível um simples cessar-fogo humanitário, já para não falar de um processo de paz que permita o regresso dos refugiados e o início da reconstrução.

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publicado às 19:23



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