Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Os pessimistas (2)

por Luís Naves, em 17.09.13

2
Entrámos num mês político provavelmente decisivo. Eleições na Alemanha, eleições autárquicas, possível intervenção americana na Síria, negociação com a troika, negociação do orçamento de Estado, prováveis chumbos parciais no Tribunal Constitucional. Tudo isto, enquanto prossegue a vigilância dos mercados, pouco convencidos da viabilidade do regresso de Portugal à soberania financeira no prazo previsto, Junho do próximo ano.
Na Alemanha, tudo indica que o resultado eleitoral ditará a continuidade da política. A CDU da chanceler Angela Merkel deverá crescer e vencer a votação. Social-democratas e verdes terão um resultado decepcionante, longe da maioria, mas os liberais que apoiam a chanceler podem não conseguir os 5% mínimos para entrar no parlamento. Nesse caso, será necessário recorrer a uma grande coligação entre CDU e SPD, arranjo capaz de não durar quatro anos, o que terá consequências na crise da zona euro, perturbando o aparecimento de soluções europeias mais arriscadas e eficazes. É irónico: o melhor resultado para Portugal será a vitória da actual coligação entre conservadores e liberais.
Nas eleições caseiras, a confirmarem-se as sondagens, os partidos do governo não vão sofrer uma derrota tão estrondosa e humilhante como previam os comentadores. Alguns terão dificuldade em descalçar a bota e admitir que confundiram os seus desejos com a realidade, mas é plausível um cenário de vitória mitigada dos socialistas, pondo em causa a continuidade da liderança de António José Seguro no PS. Se o governo sofrer uma catástrofe eleitoral, o poder negocial com a troika diminui e talvez os seus problemas aumentem depressa, estimulando as divisões sobre a estratégia orçamental e os eventuais chumbos no Tribunal Constitucional.
Estes chumbos, que têm dificultado as medidas necessárias ao equilíbrio das contas e agravado a recessão, são quase inevitáveis. Tratando-se de um Tribunal político, o TC vai dar uma no cravo, outra na ferradura, sem virar o barco. Como dizia um amigo meu, o resgate é inconstitucional. E acrescento: a falência não está prevista na Constituição.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 12:55



Mais sobre mim


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


Links

Alguns blogues anteriores

Locais Familiares

Boas Leituras