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Memória da Graça

por Luís Naves, em 19.06.17

Estão a arder alguns lugares onde passei parte da minha infância: ocorrem-me as primeiras memórias, a minha avó, a minha mãe. A primeira vez em que percebi o tamanho do mundo estava na orla de um imenso pinhal (era imenso porque eu devia ter uns três ou quatro anos), e os troncos erguiam-se como se fossem pilares de uma catedral cujo tecto filtrava a luz em pequenos fios oblíquos; e o solo, repleto de fetos, tinha um ligeiro declive que me fascinou intensamente. Lembro-me do cheiro da terra e do perfume único dos pinheiros e de uma voz ao fundo, muito ao fundo, para lá de uma barreira em que terminava a floresta e se alongava uma vastidão ignorada, onde se propagavam as vozes estranhas e fantasmagóricas de não sei quem, numa língua desconhecida e com os seus dramas próprios. O pinhal ficava ao lado da casa da minha avó, nos confins da aldeia onde ela era professora primária e, um pouco afastada, talvez a dois ou três quilómetros, ficava a aldeia da Graça, que por estes dias esteve na rota do fogo e onde anos depois estudei, com pouco êxito, a catequese. Ainda hoje confundo algumas das rezas fundamentais, que nunca penetraram completamente neste meu crânio duro e mau, talvez por culpa do padre Aníbal, a quem a minha avó chamava sarcasticamente o padre animal. Lembro-me da luz pura e dos campos fragmentados, lembro-me da estrada em macadame e da pobreza, lembro-me das casas em pedra, dos currais, do porco Príncipe Perfeito que nós, as crianças, torturávamos com alegria, e todos chorámos quando ele foi vendido, gordo como um porco; lembro-me dos campos lavrados, do milho alto, mas não tenho memória do calor extremo. Eram tempos mais amenos, parece-me, a minha avó tinha um telefone em que se dava a uma manivela e se pedia linha à telefonista; lembro-me de tudo isso e muito mais, da sujidade e da água, das estrelas no céu e da lua cheia em que passeavam astronautas, lembro-me do foguetão que fizemos com pólvora e em cuja explosão pereceram duas baratas; lembro-me do peru voador e dos miúdos camponeses, da escola e do meu fascínio pelas letras escritas a giz no quadro negro; estas aldeias tinham muitas histórias, da velha que matava galinhas com o olhar, do regresso dos franceses, do escândalo que foi a minha tia a bronzear-se ao sol em biquíni, as invejas e as guerras por terra e água, o bailarico e o vinho, as velhas de negro, as vidas duras e secas, o ocasional fogo ao longe, mas isso já era mais raro que o resto, que era a vida de então, existência entretanto extinta e lembrada apenas em imagens fugitivas que se vão perdendo. Sim, não havia as temperaturas de hoje, não havia as calamidades florestais de hoje, aquele mundo desapareceu mesmo, como certamente há muito tempo se terá esfumado mais aquele chão de floresta à beira da estrada e ao lado da casa agora em ruínas, o gigantesco pinhal em que pela primeira vez pressenti a dimensão do mundo.

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publicado às 13:19

Pureza e razão

por Luís Naves, em 13.06.17

De um lado, estão os que têm sempre razão; do outro, os que não têm razão em coisa alguma. A análise dos conflitos humanos é cada vez mais uma interpretação que divide o mundo entre bons e maus, entre puros e impuros, entre aqueles que estão a favor do desenvolvimento da humanidade e aqueles que defendem apenas o retrocesso. Os meios de comunicação aderiram com entusiasmo a esta visão simplista, talvez por imposição das redes sociais, e vemos estender-se a qualquer assunto, por banal que seja, a tese redutora que avalia toda a política a preto e branco, sem visualizar sombras ou subtilezas. Esta equação de soma zero esquece um facto evidente: se todas as coisas humanas fossem um simples combate entre luz e escuridão, teríamos apenas clarão e trevas, ou seja, duas situações sem forma. Em Portugal, as coisas complicam-se, pois nunca há polémicas, apenas gritaria. Se alguém argumenta com dureza, logo isso é interpretado como agressividade e ataque pessoal. Quando lemos as polémicas antigas, encontramos reacções indignadas a argumentos civilizados, a que se seguem berrarias indescritíveis sobre as qualidades físicas do oponente ou, em desespero, a má leitura de alguma coisa que ele escreveu em 1830, com as devidas alterações, para que pareça pertencer exclusivamente ao campo dos maus, dos impuros e dos reaccionários.

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publicado às 15:25

Como cantaria ela os parabéns-a-você?

por Luís Naves, em 12.06.17

Num restaurante para jovens, daqueles de fast food americana, um grupo de adolescentes desatou de repente a cantar os parabéns-a-você, e foi um momento de pureza, ingénuo e simples. Em volta, havia apenas sorrisos e, no meu canto da sala, a pensar como a vida passa, senti primeiro a onda feliz, mas logo a seguir um arrepio, com a ideia repentina de que tudo será um dia esquecido; decorrida uma eternidade suficiente, digamos de quinhentos anos, nem sequer haverá a mesma língua, nem sequer porventura a mesma canção de parabéns, talvez não existam os países e as cidades, nem nada de parecido, apenas os rostos semelhantes de pessoas em tudo o resto diferentes. Terá decorrido um minúsculo nada na linha do tempo e uma imensidade e meia nas vidas humanas, pelo menos de quinze gerações. Ninguém se lembrará de quem fomos ou que significado tivemos, tudo o que deixarmos será interpretado, até se tornar incompreensível. Tenho à minha frente uma reprodução de Uma Jovem de Florença, como é conhecida a pintura de Domenico Ghirlandaio, de 1495, cujo original está no Museu Gulbenkian (existe uma grande reprodução numa estação de metropolitano); a minha imagem é um pequeno rectângulo chamado pano em microfibra, o que teria deixado o pintor italiano numa perfeita estupefacção; como está no meu ângulo de visão, em frente ao computador, penso muitas vezes nesta rapariga (quem seria, o que fez, como viveu?) muito criança ainda, olhos cinzentos e cabelo ruivo, rosto que podia ter encontrado naquele restaurante para jovens onde se cantavam os parabéns-a-você, nesse quase-nada congelado na linha do tempo e que em breve, digamos quinze gerações, nem sequer fará sentido para alguém que esteja vivo, pois tudo é passagem e esquecimento.

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publicado às 16:55

Cinismo dos eleitores

por Luís Naves, em 11.06.17

Eleições em França, primeira volta das legislativas. A maioria presidencial arrasou os partidos tradicionais, Emmanuel Macron está a ser muito elogiado por isso, mas a excitação parece imprudente: a abstenção foi superior a 50%, coisa nunca vista, e percebe-se que a maioria presidencial na primeira volta foi inferior à de François Hollande em 2012: 32%, em vez de 40% para um presidente que foi incapaz de fazer reformas. Há aqui sinais de cinismo dos eleitores, que deviam fazer pensar os analistas. Se o novo presidente rebentou com os partidos, é natural que muitos franceses sintam por enquanto que não vale a pena votar, pois é certa a vitória dos candidatos relativamente desconhecidos apresentados pela maioria (votar contra eles não é opção, pois garante o caos). Bem mais grave é a possibilidade concreta de não haver oposição em França: Macron está a engolir tudo à volta, formando um albergue espanhol para oportunistas, em vez de um projecto político coerente. Com a assembleia domesticada, os eleitores terão de ventilar a sua frustração por outros meios democráticos.

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publicado às 17:20

Novo sismo eleitoral

por Luís Naves, em 09.06.17

Novo sismo eleitoral no Reino Unido: em legislativas antecipadas, num erro de cálculo histórico, o Partido Conservador desbaratou a maioria que tinha no parlamento. Embora fosse o partido mais votado e a primeira-ministra Theresa May possa formar novo governo, é possível que haja uma insurreição interna ou uma situação de alta instabilidade. Na prática, existe um parlamento ‘pendurado’, ou seja, um impasse a exigir coligação. Este resultado confirma o padrão de insatisfação popular nos países desenvolvidos: o eleitorado não quer a política habitual nem os políticos do costume, os que vivem na sua bolha, alheados da realidade. Os conservadores entraram nestas eleições demasiado confiantes, não perceberam o descontentamento popular e fizeram uma péssima campanha. May queria negociar na Europa com a sua autoridade reforçada, mas vai entrar nas negociações do Brexit, dentro de dias, num calamitoso estado de fragilidade. A primeira-ministra subestimou o adversário, Jeremy Corbyn, que ganhou com o regresso ao bipartidarismo tradicional e que parece seguir com habilidade a máxima de Napoleão: ‘nunca interrompas o erro do adversário’.

Estas eleições mostram a crescente importância da gestão de expectativas. Muitos britânicos assustaram-se com a possibilidade (ainda em Maio) de um triunfo absoluto dos conservadores. As sondagens de Abril e Maio apontavam de forma unânime para uma diferença superior a cem deputados em relação aos trabalhistas (afinal, foi de apenas 57). Nos seus cálculos complacentes, os conservadores pensaram que iam garantir 80% dos votos do partido nacionalista UKIP, que praticamente desapareceu; ora, os trabalhistas atraíram uma proporção significativa destes eleitores, talvez mais de metade, garantindo com esse acréscimo de dois ou três pontos percentuais que os conservadores não ganhavam por landslide, ou derrocada do adversário. Ontem, embora fossem perdedores (ficaram em segundo lugar e não formam maioria), os trabalhistas definiram-se logo como os vencedores das eleições. Todos os eleitos repetiam a narrativa de que tinham ganho e os observadores, internos e externos, diziam o mesmo. Como se esperava o colapso do partido, a votação competitiva pareceu uma vitória. Vivemos assim numa fase estranha das democracias, em que os derrotados podem sair vencedores e os que ganham podem ser considerados ilegítimos.

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publicado às 13:04

Exemplo de ser português

por Luís Naves, em 07.06.17

Li na imprensa que um homem foi detido e levado a tribunal por furtar um saco de morangos no valor de 2,5 euros. Isto aconteceu no mesmo país onde se reclamam inocentes todos os banqueiros que estoiraram com bancos inteiros e ainda governantes que se governaram em contas bancárias de milhões que não estavam em seu nome, sem falar nos gestores cujas empresas têm lucros garantidos à custa do bolso de todos, mediante leis devidamente fabricadas para o efeito, pois esfolar legalmente um país inteiro não é crime. Este é o mesmo país onde vão presos ladrões de morangos e ficam à solta os benfeitores que nos roubem a valer; um país que se habituou aos grandes ladrões a quem chama doutores, mas que não tolera o pequeno furto de morangos feito por amadores; boa pátria para quem a desfruta, mas de mão pesada para quem cobiçar fruta, ou neste caso, o fruto acessório agregado, o que a botânica diz que um morango é. Pois neste país tudo pode ser, no fundo, acessório agregado, se visto do ponto de vista das elites que nos sacam, retirando as partes carnudas do corpo da nação sem que isso constitua furto ou delito, o mesmo não se dizendo para quem de repente, saltando uma simples vedação, levar um saco com morangos que, sendo propriedade privada, merece exemplar repressão, enfim, para dar o exemplo sem explicar os porquês. O exemplo de quem pode mandar e o exemplo de quem deve obedecer, de quem tem e de quem deve. Um exemplo, enfim, de ser português.

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publicado às 12:14

Doze cavalos

por Luís Naves, em 06.06.17

A Economist é uma revista extraordinária, cuja leitura só dispenso quando estou falido. Encontram-se ali muitas pequenas jóias, como esta história tirada da recensão de um livro sobre cavalos: após seis mil anos de ligação à humanidade, desfeitos em pouco mais de um século, estes animais são agora desnecessários, como eram os doze cavalos da cavalaria britânica que tinham participado na batalha de Waterloo e que um cirurgião da época salvou por razões sentimentais. Os animais andavam em liberdade e segurança, à solta num grande prado da propriedade, onde pastavam tranquilamente; e certo dia, o médico reparou que, sem aviso ou padrão, se juntavam os doze numa linha rigorosamente direita e, sem que houvesse ordem ou ruído indicativo, avançavam de repente a galope, todos juntos, sem nenhum desfazer a formação até um ponto qualquer que só eles sabiam. Depois, recuavam, mantendo sempre a linha direita. E, regressados da carga imaginária, voltavam à sua pastagem, à tranquila reforma que lhes tinham arranjado os humanos, talvez ruminando reminiscências confusas de velhos soldados sobre um grande acontecimento que não podiam compreender e que, mais do que assustador, era para eles bastante memorável.

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publicado às 00:46

Escândalo na TV

por Luís Naves, em 05.06.17

Network, Escândalo na TV, filme de Sidney Lumet (1976) é provavelmente uma das obras-primas do cinema americano dos anos 70. Quando vi este filme pela primeira vez, há uns trinta anos, interpretei a história como uma crítica à televisão e à comunicação de massas, mas ao revê-lo ontem percebi que está ali uma premonição mais escura, uma espécie de profecia política. A transformação das notícias em entretenimento por uma estação em dificuldades financeiras acaba em tragédia, quando dirigentes irresponsáveis decidem utilizar um apresentador louco para aumentar as audiências. Parece uma crítica de Hollywood aos poderes infantis da TV, no entanto, se fizermos uma leitura política, vemos ali uma representação da ascensão do populismo contemporâneo: muitas das coisas que o apresentador Howard Beale afirma em directo parecem uma antecipação do discurso dos populistas mais desenfreados da Era de Donald Trump. A fama de Beale (espantosa interpretação de Peter Finch) surge quando ele pede às pessoas para gritarem à janela que estão zangadas e ‘não aguentam mais’. E as pessoas fazem isso, embora o filme não nos esclareça o motivo da adesão. Vendo em Network a metáfora política, é impossível não pensar na circunstância deste populismo de Beale começar como loucura, ter uma fase intermédia de descontrolo e uma fase final em que se torna objecto de manipulação dos poderes supremos. Sendo assim, o populismo a que assistimos será igualmente um fenómeno conveniente, que começa como anomalia, parece às tantas correr em pista própria e acaba no redil dos interesses. A política como espectáculo e como reality show afasta todas as outras formas de praticar a política e é uma simplificação que legitima novos poderes e outras simplificações. É fantástica a cena de manipulação do capitalista: ‘As nações não existem, senhor Beale, só existe a IBM, a ITT, o sistema holístico das corporações e dos fluxos financeiros’. Hoje, a única diferença seria Google, Goldman Sachs ou Amazon.

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publicado às 14:23

Novo atentado em Londres

por Luís Naves, em 04.06.17

Outro atentado bárbaro numa cidade europeia, desta vez em Londres, com pelo menos sete mortos e dezenas de feridos, alguns em estado crítico. Começa a ser uma banalidade e lemos os habituais relatos de horror: os terroristas vestiam coletes com latas a fingir de explosivos e esfaquearam as pessoas que antes tinham atropelado e que agonizavam no passeio; depois, atacaram numa zona popular de bares e restaurantes e mataram inocentes durante oito minutos. Parece que se instalou uma devastadora nova táctica de baixa tecnologia; agora, bastam uma carrinha e algumas facas. Os terroristas tendem a ter a nacionalidade dos países onde matam e pertencem geralmente à segunda geração de imigrantes; foram radicalizados por imãs e activistas que actuam com impunidade, em nome da liberdade religiosa, espalhando uma ideologia que despreza a nossa forma de vida, odeia as nossas liberdades, recusa a nossa democracia e visa impor-nos uma visão niilista que nega os direitos humanos. Em vários locais da Europa, com tolerância oficial, instalaram-se milícias radicais que impõem a charia, proibindo, por exemplo, que os cidadãos comprem e bebam álcool; há bairros em França onde as mulheres vestidas de forma ocidental já não podem sair à rua sem serem molestadas; há zonas onde os judeus são os alvos, mas também os cristãos, até mudarem de bairro ou venderem os seus negócios a muçulmanos. A intolerância islamita foi crescendo sob o olhar benevolente das elites bem-pensantes, nomeadamente dos meios de comunicação, que se recusam a perceber a extensão do problema e cujo contacto com as comunidades em crise é limitado. Os líderes da esquerda apoiam esta visão complacente e, por uma vez, guardam na gaveta as ideias feministas e marxistas: os pobres da antiga classe operária, que ainda vivem nos subúrbios repletos de tensão e ódio, deixaram de contar.

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publicado às 17:47

Supremacia

por Luís Naves, em 02.06.17

Donald Trump decidiu retirar os Estados Unidos do acordo de Paris sobre alterações climáticas e segundo uma das críticas mais comuns, o presidente americano está a abdicar da hegemonia da superpotência e a dar de barato à China a supremacia mundial. As pessoas estiveram mesmo muito distraídas durante a campanha: Trump cumpriu uma das promessas centrais que fez aos americanos e esta administração será isolacionista, ou seja, o presidente quer mesmo reduzir a exposição do seu país aos assuntos globais, escolhendo apenas as lutas que lhe interessam e não entrando em todas. Isto é uma estratégia, não é um efeito secundário. Um dos maiores problemas dos impérios do passado foi a sobre-extensão, ou seja, o envolvimento em demasiados conflitos ao mesmo tempo, com a respectiva dispersão de recursos e constante aumento dos custos imperiais.

Provavelmente, Trump ponderou uma divisão de tarefas com a Rússia, mas este prolongamento de Ialta é hoje politicamente impossível, pois os democratas no Congresso entram em histeria em tudo o que envolva Moscovo, o que certamente terá efeitos para além desta administração. É preciso reler O Choque de Civilizações, de Samuel Huntington. A China não está interessada em ter um papel global e os europeus parecem ter entrado em pânico com os primeiros sinais do novo isolacionismo, que foi uma das tendências da política americana, embora raramente dominante na Casa Branca. A saída do acordo de Paris é um erro e deve ser criticada pelo efeito desastroso que pode ter nas alterações climáticas e na segurança de centenas de milhões de pessoas vítimas de secas e tempestades. A América arrisca-se a perder a liderança no abandono da economia do carbono, mas isso não é inevitável. As promessas de Trump foram no sentido de aumentar o isolamento dos EUA, reduzir a extensão imperial e manter alianças suficientes para garantir a supremacia. É por isso que, ao mesmo tempo que abandona acordos multilaterais, a Casa Branca reforça o investimento nas forças armadas.

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publicado às 13:16


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